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Quinta-feira, Julho 29, 2004
 

Verdade ou aparência?

O que acontece quando você fica sem argumentos? Quando você não consegue explicar aos filhos as injustiças do mundo? Quando você não consegue sustentar com exemplos palpáveis os valores que você tenta ensinar?
A busca de formar pessoas melhores, que venham a construir famílias melhores, é um caminho que exige explicações, posicionamentos e argumentações quase que constantes. A todo tempo, você é arguida sobre as razões de atitudes e decisões. E se não quer criar seres burros e obliterados, que não são capazes de fazer juízos de valor próprios, tem que se explicar, tem que ter subsídios e aguentar as perguntas. As velhas máximas- é assim porque é; tem que fazer por que eu tô mandando ou faça o que eu digo e não o que eu faço - não funcionam. Pelo menos, não lá em casa.
O grande problema é que, em nosso país, com a nossa realidade de justiça e sociedade, tem sido difícil embasar alguns valores como honestidade, respeito e não-violência. E tem sido árdua a tarefa de explicar por que quem faz as coisas erradas não é punido. E por que a sociedade dá valor ao conforto e benesses que o dinheiro pode proporcionar, em detrimento do amor e da sinceridade dos relacionamentos. Mesmo com o suporte do kardecismo a mostrar os fatos em uma visão mais ampla, os seres que me foram confiados esperavam do "mundo-hoje" pelo menos um pouco de coerência. E me dói ver o olhar de frustração deles frente aos desmandos e injustiças com os quais eles vêm lidando há algum tempo.
Tento fazer com que eles entendam que o importante é dormir com a tranquilidade de ter agido de forma correta, independente do que os outros tenham feito. Importante é o que você realmente é, e não o que poderia tentar parecer. Mas ainda sim, temo pelo desalento que vejo em seus olhos, pela dúvida que sinto no ar - vale a pena lutar pelo que é certo?

 



Quarta-feira, Julho 28, 2004
 

O que é preciso para se ter um grande amor?
 
Todo o amor que houver nessa vida
[Cazuza/Frejat] 
 
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

 
Eu tenho a sorte de um amor tranquilo.. li um post no blog da
Cheshire que é muito parecido com a vida que eu tenho levado com o Anderson.
Parafraseando o referido post, aí vai:
 
Ele quando entra em um lugar, parece um furacão. Vai levando embora toda a monotonia e qualquer poeira de tristeza que houver escondida em frestas escuras das almas. Seu sorriso e brincadeiras alegram o ambiente e ninguém consegue ficar imune ao seu bom humor.
Ele adora jogar video game, o olhar parado na tela e os dedos rápidos agitando o mouse e o teclado. Não importa o que estiver acontecendo ao redor, ele agora é um grande estrategista em um país gelado, ou  "o cara" no pega pelas ruas e vielas de uma cidade grande.
Adora tomar banho. Quando acorda, antes da faculdade, depois que chega em casa. Aliás, é um dos grandes prazeres do dia. Alone or not.
Se eu mexo nos cabelos dele quando ele vai dormir, ele nao consegue pregar o olho. Tem que ficar quietinho e eu deixo.
Dança divinamente bem, seja pop ou pagode, samba ou bolero. O samba está no sangue carioca. Igual a mim.
Ele sabe que quando ele me abraça, alguma coisa diferente acontece comigo. Sabe que eu me sinto muito bem junto dele e que ele é o meu amor.
Quando o assunto é Direito, aí ele se atiça todo. Quer ver as coisas certas em um país de coisas erradas.  Vai ter muito trabalho pela frente. E vai precisar de muita coragem.
Ele me dá força para ultrapassar obstáculos e me conforta quando as coisas não dão muito certo.  Ele me dá colo quando eu choro e me faz ver que existe muita coisa pela frente. Eu procuro fazer o mesmo com ele.
Ele gosta dos meus filhos com um carinho e um cuidado especiais, mesmo nunca tendo sido pai. O convívio deles é maravilhoso e ele lê isso nos meus olhos quando eu não interfiro nas brincadeiras e deixo que eles se conheçam, se façam cosquinas e se pisem e amassem. Assim como quando eles se procuram para brincar ou para resolver algum assunto importante.
Sei que eu posso contar com ele. Confio no amor que ele me fez conhecer. Um amor sem frescuras, sem mentiras, onde se diz tudo que se pensa, onde se pergunta o que se quer saber e o outro responde, sem medo, sabendo que pode contar.
Adoro acordar com ele, especialmente quando posso acordar devagar, com os pés dele esfregando os meus. Ele sabe que os braços dele são o melhor travesseiro do mundo, mesmo ele sendo magro. Adoro quando minha consciência desperta de manhã e a primeira sensação é o corpo dele colado ao meu, me envolvendo enquanto ele respira pesadamente, dormindo.
E essas coisas do dia-a-dia, essas pequenas partes do cotidiano, vão compondo um mosaico de felicidade.

 



Terça-feira, Julho 27, 2004
 

Espelho

Estava me olhando no espelho, lembrando do meu reflexo antigo guardado em algum lugar, em outros passados. Comparo a pessoa que hoje se reflete com aquela, mais jovem, e não tenho saudade. Hoje, o semblente está mais seguro, confiante, por ter já passado por muitos momentos difíceis com relativo sucesso, por ter sobrevivido a algumas tempestades. Aquele olhar de medo escondeu-se, envergonhado por ter deixado que eu fosse dominada por tanto tempo. Na verdade, foi substuído por outro olhar, que vê pela frente um futuro seguro, calcado em bases de verdade e amor.
Hoje as pessoas que eu amo me admiram, embora possam não concordar sempre comigo. Isso é importante. A unanimidade pode ser burra e limitar nosso crescimento. Vida de diálogo e compreensão.
Ainda falta muito a construir, muitas estradas para trilhar, mas mulher que vejo no espelho tem coragem para seguir e pessoas em quem confiar. Hoje eu posso dizer que ainda não atingi todos os meus objetivos, mas sou extremamente feliz.


 



 

Pão

É como pão.
De todo jeito é bom. Estar com ele é sempre um prazer, uma alegria.
Para tudo existe um sorriso, nenhum problema é grande demais que não possa ser deixado de lado por pelo menos dois minutos, para deixar passar um olhar de felicidade.
Sem parar um instante, enche a vida da gente de brincadeira, tornando tudo mais leve.
Uma delícia. Por dentro e por fora.
É como pão.

 



Segunda-feira, Julho 26, 2004
 


Gatos

Ela ouviu uma frase que a fez pensar. Estava falando sobre os problemas que vinha tendo com os gatos. O contato com eles vinha causando reações alérgicas respiratórias em seus filhos e nela mesma, pelo que decidira dá-los à adoção. Uma pena, pois os gatos eram lindos e carinhosos.
Na hora do almoço, argumentou que havia conseguido uma casa para eles morarem, onde seriam cuidados com carinho e atenção. Todos acharam ótimo. Mas quem seria essa pessoa? Ela havia decidido dar os gatos a uma senhora muito humilde que era vizinha da secretária da empresa onde trabalhava. Ao contar a todos o destino dos bichanos, explicou que a referida senhora gostava tanto de animais que até permitia que os gatos dormissem na cama com ela. Foi nesse momento que ouviu a frase mais nonsense dos últimos tempos.
- Mas você vai dar os gatos para essa senhora? Os gatos não podem mudar assim de padrão de vida.
Fez-se o silêncio na mesa. Todos se olharam como que a confirmar o que haviam ouvido. Confirmado. Era aquilo mesmo.
Ninguém teve coragem de responder. O almoço terminou no mais absoluto silêncio.
Ficou pensando. Pessoas podem passar fome, pais de família podem perder o emprego, ela mesma tinha visto os filhos serem obrigados a deixar de lado conforto e regalias depois de uma separação. Tudo isso fazia parte do mundo real. Por que então os gatos não poderiam mudar de padrão de vida? Pensou mais uma vez e desistiu de entender a frase. Algo estava errado. Definitivamente.


 



Sábado, Julho 24, 2004
 
Simples
 
Tua presença me conforta.
Na bagagem, calor e abraços
Sorrisos e mãos dadas.
Coisas simples, parecem comuns
Ao olhar desatento do mundo.
 
Teu jeito menino me faz te amar ainda mais...

 



Sexta-feira, Julho 23, 2004
 
Distante

Às vezes você me parece tão distante
Tão preso em seu mundo interior
Que eu fico imaginando como começar
A tentar te tocar, será que devo?

Teu olhar me foge, pensamentos se esgueiram
E não sei se te deixo só ou se te chamo,
Se atraio sua atenção para o meu mundo
Ou te deixo aflorar por própria vontade.

Por fim me recolho,
Sou tua paz e não teu tormento,
Devo te acolher e não te rodear.

Me ponho no alcance na tua mão,
Sentidos a espera de um sinal,
Para estar novamente ao teu redor.
 



Quinta-feira, Julho 22, 2004
 
Mistura
 
Se a minha vida se misturou com
A sua vida e disso resultou
Um amor lindo que tem sido
Minha razão para espalhar
Muitos sorrisos então
A minha vida que se misturou
Com a sua vida agora é uma
Nova vida de dias que são
Claros e noites que são
Quentes e sonhos que são
Bons e eu estou
Feliz.

 



Terça-feira, Julho 20, 2004
 


Futuro
 
Acho que algumas pessoas entendem quando eu falo na intensidade com que eu vivo a vida. É que quem já viveu o que eu vivi, que não se dá ao luxo de deixar passar nenhuma emoção.
Vivo como se fosse o último dia. Não que eu vá ser irresponsável ou que eu vá jogar tudo para o alto. Trabalho e muito, e me preocupo em ser cada dia melhor. Acontece que eu não me deixo levar por pensamentos de ser feliz no futuro, tentando encher a vida presente de certezas inexistentes. Quero ser feliz hoje, e sou, da melhor forma que eu posso.
A morte não manda avisos. Eu não sei se eu vou estar viva amanhã, assim como não sei se as pessoas que eu amo vão estar também. Por isso, eu agradeço a Deus o que posso viver hoje, e não troco um momento de amor e carinho por obrigações que eu possa fazer amanhã. Essas, se eu não fizer, não perdi nada. Não uso dinheiro que pode ser gasto em momentos de alegria para ficar comprando bens e roupas e grifes. O que eu vou levar e deixar desse mundo é apenas o que eu construí em sentimentos e sorrisos, lágrimas e colos. O resto vai ficar por aqui.

 



Segunda-feira, Julho 19, 2004
 

No sinal
 
Era um daqueles dias quentes, que nem faz sol, nem chove. O ar abafado entrava pelo vidro do carro. Ela não queria ligar o ar condicionado, afinal, as coisas estavam meio difíceis e, com a grana escassa no bolso, toda economia era válida.
Vinha pensando em como resolver a coleção de pequenos problemas que se avolumavam em sua mente. Muitas coisas na sua vida estavam empacadas. Era a casa em construção que tinha ficado inacabada; a casa onde morava, que de tantas coisas que não funcionavam mais parecia uma bomba relógio prestes a explodir; um monte de impostos, clientes que não pagavam em dia, essas coisinhas.
A reunião para tentar vender a casa não havia acontecido, o corretor havia se estendido na reunião anterior à dela. Ficou para o dia seguinte. Mas um assunto postergado na lista. 
Parou no sinal e batucou no volante a mesma música pela trigentésima vez. O pensamento estava longe, fazendo contas onde os zeros só desapareciam quando ela pensava em créditos na conta corrente. Foi quando ou viu aquela voz:
- E aí, vai um paninho?
Ela respondeu com a cabeça, em um não pouco convincente, quase automático.
- Ei, tia, nem um paninho?
Ergeu o olhar, para ver a cara da criatura insistente que teimava em atrapalhar suas contas mentais. Deparou-se com um moleque moreno dos seus quinze anos, orelhas de abano e um olhar triste e pidão. Ela até que precisava de panos de chão em casa, mas a grana tava curta mesmo. Só se fosse no cartão de crédito.
- Hoje não, anjinho. Tô lisa. - respondeu.
O moleque olhou e disse:
- Legal, boa viagem então - e abriu um sorriso que quase mordia as orelhas que não eram pequenas.
Ela ficou parada sem ação, pensando no sorriso que havia tirado sua sintonia das contas.  Como será que uma palavra de atenção podia transformar um semblante automaticamente?
O sinal abriu e ela arrancou, ainda pensativa. Lembrou-se de todos os sorrisos que recebe em casa, do carinho com que dorme abraçada ao namorado, do ambiente de trabalho cheio de risos e brincadeiras. Jogou as contas e problemas para a gaveta mental número dois, passou a chave e decidiu que a tarde seria quente, mas, a partir daquele momento, repleta de pensamentos felizes. 

 



Sábado, Julho 17, 2004
 
O acaso

O que seria o acaso?

Por acaso, o acaso foi encontrar você onde eu nunca imaginaria encontrar um amor. E mais por acaso ainda, puxar a sua atenção para mim, de uma forma inadvertida, dado que o seu primeiro alvo era outro. Outro acaso foram as perguntas cujas respostas atiçaram sua curiosidade de ver que situação louca era aquela. Mas ainda, o acaso me fez ver além das brincadeiras e dos discursos inflamados. Me fez, não sei por que acaso, confiar no que ouvia, talvez por que os choppes tivessem feito sua língua um tanto quanto mais ferina e solta que de costume, hoje sei. E me deixei levar pelo seu sorriso que me pareceu sincero, e pelo seu olhar, que guardava uma tristeza enorme bem lá no fundo, não por acaso.
E o que parecia ter começado no lugar mais improvável, da maneira mais estranha, revelou-se, não por acaso, mas por vontade mútua, em uma relação de carinho, respeito, confiança, amor.

Hoja ainda estamos nos descobrindo, de uma forma muito bonita. E o amor cresce a cada dia, alimentado pela convivência saudável, pelo cuidado contínuo. Temos ultrapassados as pontes que nós mesmos criamos, e os fossos que um dia construímos sob elas tem se mostrado desnecessários. Muros caem pela força da emoção, da sinceridade. Sem acasos.
Não acredito que exista o acaso da forma como se costuma usar a palavra, essa coisa aleatória, uma coincidência ou eventualidade. Para mim, o que existe são os caminhos que há muito escolhemos trilhar, e cujas esquinas reconhecemos, mesmo quando elas estão disfarçadas em bares e entrelinhas. Nossos corações vislumbram o momento certo de enveredar pela história certa, aquela que vai nos levar à felicidade. E a isso nós chamamos de acaso.


 



Sexta-feira, Julho 16, 2004
 

Dificuldades

Muitas vezes pensamos que as dificuldades são pedras no nosso caminho. Na verdade, elas são oportunidades de aprendizado. Elas nos tiram daquela zona de conforto, e nos jogam para a vida. Nos obrigam a melhorar internamente a cada dia. Fazem aflorar nossas forças e habilidades. 

Deveríamos agradecer pelas dificuldades. Elas nos fazem pessoas melhores. Mais fortes. Mais resistentes. E mais capazes de entender as dificuldades dos outros.


 



Quinta-feira, Julho 15, 2004
 


Dias e Noites

Existem noites de amor e noites de lágrimas,
Existem noites de amizade e noites de silêncio,
Existem noites onde só o que você quer é colo...

Talvez porque o colo console a alma,
Talvez porque as vezes é só o que cabe,
Talvez porque seja uma forma profunda de gostar,
Talvez seja um pouco de tudo..

Existem dias de alegria e dias de solidão,
Existem dias de festa e dias de exclusão
Existem dias em que você deseja não sair da cama...

Talvez porque a companhia seja boa,
Talvez por que o mundo lá fora seja cruel,
Talvez porque você não sabe bem o que fazer.
Talvez seja um pouco de tudo..

Mas depois de cada dia e de cada noite
Surge uma manhã renascida.
E a ela se segue uma noite para partilhar.

E é isso que faz com que os dias e noites
De lágrimas e exclusão não nos devorem.

E faz da vida uma coreografia improvisada
Que eu danço nos teus braços.
 



Quarta-feira, Julho 14, 2004
 
Depois de um fim de semana fantástico, eu só posso aqui declarar o meu amor a esse homem que vem preenchendo minha vida...

Soneto do Amor Total
Vinícius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
 



Quarta-feira, Julho 07, 2004
 


Dúvidas

O que é que eu faço se eu me acostumar a dormir com você? Se eu ficar procurando sempre o teu corpo na minha cama, se o teu calor for o que me aquece durante o sono?
O eu faço eu se, de repente, o teu sorriso for do que me alimento? Se a tua simples presença me tranquilizar?
Se o meu dia brilhar mais com você, se os problemas forem menores por você existir, o que eu faço?
Não saberia dizer.
Acho que já sinto frio quando você não dorme comigo...
 



Terça-feira, Julho 06, 2004
 


Luz

Num momento,
Como grãos de areia desatentos
Meus pensamentos se fizeram vivos,
E de tudo se tornaram seus.

Numa noite,
Teu olhar feito porto se mostrou
E minha alma ancorou em ti,
E no teu colo descansou.

Num dia,
Teu abraço como refúgio se fez,
E meu medo em ti se perdeu,
E na tua calma se calou.

Numa tarde,
Teu sorriso me fez tranquila
E meu coração se entregou ao vento
E nas brumas se deixou levar.

Num dia,
Tua vida se mesclou a minha,
E meus sonhos se tornaram claros,
E de flores se cobriram,
E de risos se fartaram,
E de brilho se adornaram,
Para que eu percebesse
Que em luz, por fim, me transformara.
 



Segunda-feira, Julho 05, 2004
 
Saudade mata

Às vezes parece que estão arrancando os pedacinhos de mim aos poucos.
Primeiro foi um braço, o direito, que partiu em um ônibus ao encontro dos amigos. Depois foram mais dois grandes pedaços, acho que um pulmão e uma parte do coração, porque não tenho conseguido respirar direito e tenho vontade de chorar constantemente. E hoje me vai a última parte, representada pelo outro braço e o sorriso.
Todas as férias é o mesmo suplício. Ao mesmo tempo que obviamente me sobra horrores de tempo para me dedicar a mim mesma, fica um vazio enorme.
Faltam as vozes, as bagunças, as toalhas espalhadas, as broncas diárias, a presença.
Falta a música ensurdecedora, as brigas pelo lugar no micro, os gritos enquanto jogam.
Falta o abraço carinhoso, os beijos constantes e os olhares.
Saudade mata.
O que não me deixa morrer é a certeza de que eles voltam. E de que tudo vai estar no mesmo lugar novamente.
É claro que eu sei que um dia eles irão viver suas próprias vidas. Um deles já está quase lá. Mas isso é um processo e não uma ruptura, não uma partida. É natural. Mas as férias, essas são sempre assim. Um grande buraco. Acho que é um ensaio, para eu ir me acostumando aos poucos. E não morrer de saudade no dia em que eles crescerem de vez.
 



Sábado, Julho 03, 2004
 


80 horas

Imagino a minha vida
80 horas atrás
E vejo que imaginava
O que sou hoje.

Imaginava ter um amor
Imaginava alguém como você
Imaginava poder me entregar
Imaginava ...

Mas eu achava que era só imaginação
Até que você trouxe para o mundo real
O que meus sonhos tinham criado.

Poesia feita às 8:30 minutos do dia 31/05/2004, prenunciando um grande amor, que está acontecendo.
 



Sexta-feira, Julho 02, 2004
 


Caos

Hoje eu não quero escrever nada consistente. Quero que o vazio comande as minhas idéias loucas. Quero não fazer sentido. Quero ser o caos.
Os neurônios estão em greve, paralizados pela inconsistência do meu pensamento. O resultado disso é essa sequência catatônica de palavras, sem começo, nem final.
Fecho os olhos e nem o que percebo faz sentido. Nem cheiros, nem sons.
A desorganização do nada torna os flashes de imagens mentais eventos aleatórios. Randômicos. Insanos, como as idéias, as cenas, barulhos e outros bichos que preenchem a minha percepção.
Graças pela greve. Já pensou o que aconteceria caso essas aferências tresloucadas ficassem gravadas no meu cérebro?
 



Quinta-feira, Julho 01, 2004
 
O que eu sou
by Anderson

Sou o que você ve
O que você ouve
O que voce sente
Quem voce toca
Abraça
Ama
E cuida
Sou algo escondido dentro de mim mesmo
Esperando voce pra aparecer
Sou o alvorecer,
O anoitecer,
A escuridão,
A luz,
Seu desejo mais distante
E seu sonho mais sublime
Sou o nada e o tudo
Mas só com você
 



 
Esse post eu escrevi no dia 29 de maio de 2004. Era um sábado, e eu não sabia que seria o primeiro de muitos sábados felizes. Acho que por esse motivo não tive coragem de publicar naquela época.
O tempo mostrou que o amor foi mais forte que o medo.
Aqui fica uma homenagem às vitórias diárias que construímos a dois.

Acordei

Pensei em você logo que acordei. Foi o primeiro pensamento lógico nessa tarde com ar de manhã. Sua voz me traz de volta à realidade, ou não?
Ontem eu ouvi você falando sobre o que deu certo, e o que não deu, e isso me fez pensar em probabilidades, nesse mundo tão cheio de variáveis.
Até que ponto a vontade determina o resultado, até onde os caminhos cruzam por destino?
Os nossos se cruzaram um tanto quanto inadvertidamente.
Sei que a sua dúvida é a minha.
O medo - poderia se chamar assim - de dar oportunidade para que fatos que nos fizeram sofrer voltem como fantasmas a assombrar a noite.
A solidão, essa companheira indesejada dos domingos a tarde.
Todos fazem parte do meu universo, assim como fazem parte do seu.
Proteção. O medo seria uma barreira grande o suficiente ou o amor ainda pode entrar pelas frestas da janela que deixamos para que pudessemos respirar?
Armaduras de vento não resolvem o problema.
O jeito é viver e ver. Pode ser que a minha cama fique vazia demais quando a sua presença não se fizer.
 



 


Transparente

Gosto de ser assim, transparente. De me deixar ver, entrever.
Gosto de acreditar nas pessoas. Gosto de pecar pelo excesso.
Prefiro ser boba a ser por demais mordaz.
Prefiro achar que a verdade é o que me mostram, ao invés de ficar vasculhando atrás de mentiras.
Isso não quer dizer que eu seja ingênua.
Também não quer dizer que eu seja burra.
Quer dizer que eu prefiro dormir de consciência tranquila.
Quer dizer que eu gosto de fazer a minha parte por completo, e deixar que as pessoas que me cercam façam cada uma a sua.
Dou liberdade e espero atitudes.
Por isso confio. Por isso acredito.
Afinal, a verdade sempre aparece, mais cedo ou mais tarde.
É claro que existe o medo. Mas ele faz parte do contexto.
O importante é saber que o pensamento constrói realidades
E eu não deixo de construir meus desejos e sonhos
Com trabalho, seriedade e sorrisos.
E eles jorram claros como uma nascente.
Posso até ser enganada, mas isso não é problema moral meu.
É de quem traiu minha confiança.
É de quem se privou de mim.
Do meu amor.
Da minha amizade.
Do meu carinho.
Do meu colo.
Sou coerente.
Não me engano, nem me traio. Me respeito.
Sou mãe, filha, amiga, profissional, companheira, amante, mulher.
Por inteiro.
Água pura.
Transparente.
 





"Quando todas as possibilidades nos são tiradas, a menor das aberturas se transforma numa grande liberdade... De certa forma, os contos de fadas, ou os romances, nos dão a liberdade que a realidade nos nega."
Azar Nafisi, iraniana, professora de literatura, autora de Lendo Lolita em Teerã.


Star Sacerdotise
Quem profetisa
Eu sou Chris, sempre fui e sempre serei até que me dêem um novo corpo e uma nova identidade no outro plano. Mas até lá, tô feliz com esse nome. Já fui Christininha, Baixinha e outros diminutivos próprios de quem tem menos de 1,60 m. Pros meus filhos eu sou mãe, mamãe ou manhê, dependendo da situação. Pro meu pai eu sou Filhota. E quando eu escrevo sou Star.
Não tenho limites nos meus sonhos. Vejo grande, me recuso a desistir do que quero. Reconheço a mão divina que me guia e protege, e que me deixa quebrar a cara pra aprender quando eu insisto em negar meus instintos.
Sou de festa, de noite sem dormir, de 48 horas acordada direto.
Sou de ensinar tudo que sei, mas de deixar caminhar com as próprias pernas.
Sou de estudo e de leitura, tudo que me cai nas mãos, mesmo que seja bula de remédio.
Sou de música, muita música, pra dançar, namorar ou chorar. Sou do xadrez, do dominó, do Imagem em Ação de madrugada.
Sou do documentário histórico, dos making-offs, das imagens que falam mais que mil palavras.
Sou a observação em pessoa, mas só para o que é relevante, cenários não me impressionam. Meu olhar se atém na linguagem do corpo, muito mais confiável do que as palavras vãs dos dissimulados. Acredito na verdade, aquela que tarda mais surge sempre.
Sou do pensamento lógico e da emoção à flor da pele. Vivo um dia de cada vez e vivo intensamente.
Sou do cabelo comprido. Sou do rosto lavado. No corpo, jeans, camiseta e salto alto, e mais algumas coisas impublicáveis. Na mente, milhares de idéias simultâneas. No futuro, a Medicina como instrumento de serviço. Hoje, mãe, mulher, amiga, professora, poetisa, sonhadora.
Sou da Coca-cola no café da manhã, do sanduíche sempre, com muito tomate. Sou do sushi, do sashimi, do quibe cru, do steak tartar, da carne sempre vermelha, como a paixão. E crua, como os fatos da vida comum.
Sou assim, transmuto pedras em estrelas. Faço de cada dia uma vitória e de cada obstáculo, um degrau para subir. Faço de cada erro um aprendizado, de cada momento de amor, uma eternidade.
Escolhi ser feliz e viver de acordo com isso. Disse não à violência, à opressão, às ruas sem saída, às imposições e especialmente, ao preconceito.
Tenho 40 anos na carteira de identidade, mas muito menos que isso quando olho o horizonte e muito mais no que guardo no coração. Das lágrimas, mantenho o esquecimento e o aprendizado. Dos sorrisos, cada segundo na memória.
Sou de opinião firme. Sou da humildade em aprender a cada dia.
Sou uma estrela no universo.
Sou filha de Deus.

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