Pequenos pedaços pelo chão Pés cortados pelo vaso quebrado No rastro do sangue, palavras Qualquer tentativa de remontar Inútil Ainda sim ali estariam cicatrizes Manchadas pelas palavras rubras E no fim Mesmo que aparentemente íntegro ainda sim nele estariam falsas verdades flores murchas de uma paixão vazia
Star...
Quarta-feira, Março 29, 2006
Domingo, Março 26, 2006
O fardo
A moça coloca a sacola no chão, que faz barulho como uma pisada de dinossauro.. - Minha filha, tá pesada essa sacola?? - pergunta um senhor que passava. - Tá sim, muito - responde a moça, rosto molhado pelo esforço. - É sua?? - replica o homem, preocupado com o cansaço da garota. - Não, pediram minha ajuda, mas me deixaram sozinha com o fardo.. - E porque você não dá pro dono carregar?? - Já desisti.. Não aguento mais.. tô deixando aqui.. ele que ainda não veio buscar...
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Domingo, Março 26, 2006
Sábado, Março 25, 2006
A estiagem das lágrimas
Eu me preocupei quando não consegui chorar. Quando isso aconteceu, era por que alguma coisa não ia bem dentro de mim, algo havia se transformado em pedra. Por algum tempo eu estive assim, sem conseguir derramar uma só lágrima, chorando em seco, um deserto. Foi quando eu busquei dentro de mim a criança, aquela que ficava escondida no canto do quarto, amedrontada com os monstros que moram dentro dos armários. Os mesmos que saem à noite, quando estamos dormindo e nos perturbam o sono, disfarçados nas sombras. Aquela criança, que observava de olhos entreabertos as luzes dos carros que passavam movimentarem as sombras, e tinha medo. Quando eu a encontrei, pude chorar novamente, dessa vez pelos verdadeiros monstros, pelo medo do desconhecido e também pelo que sabia ser verdade. E depois do pranto, percebi que, como as luzes descortinavam os falsos monstros, as lágrimas me aliviavam, e eu conseguia perceber que, apesar de tudo, eu ainda era capaz de sair do canto do quarto e lutar pelo que almejava. Hoje, a criança continua aqui, e eu me encontro com ela quando estou na estiagem das lágrimas. E depois que choro, sei que serei capaz de continuar meu caminho. Sei que é apenas uma passagem necessária, uma ponte para atravessar o rio.
Dedos indecisos delineiam pensamentos vãos Mente vagando por terras estranhas Linhas entremeadas de idéias mirabolantes Concentram-se na mais absoluta busca do verdadeiro ser
E onde estará escondida a realidade? E em que parte do universo repousa meu descanso? Envolta em questões insofismáveis permaneço Cálida como uma estrela distante
Meus olhos úmidos se fecham Viajo em cenários multicores de fantasia Aquarela de futuros possíveis
Minha alma liberta cruza os céus Visto-me de deusa E sigo meu caminho de luz
Star...
Quinta-feira, Março 23, 2006
Quarta-feira, Março 22, 2006
Quase-Morte
Na dor, emudece Entre lágrimas, se cala Nas linhas, apenas o que resta dela Punhal atravessado, jaz desfeita Partida em pedaços Sobrevivente eventual do acaso
Star...
Quarta-feira, Março 22, 2006
Segunda-feira, Março 20, 2006
Chuva
Gotas descem pelos vidros escuros Aleatoriamente traçam rumos em mim Observo sua voz em tons puros Me calo em um silêncio sem fim
Star...
Segunda-feira, Março 20, 2006
Quinta-feira, Março 16, 2006
Sonhos
o sono me vence será que sonho? se sonho, é porque o sonho é melhor que a realidade. ou será que viver tem sido tão intenso que parece um sonho?
Star...
Quinta-feira, Março 16, 2006
"Quando todas as possibilidades nos são tiradas, a menor das aberturas se transforma numa grande liberdade... De certa forma, os contos de fadas, ou os romances, nos dão a liberdade que a realidade nos nega."
Azar Nafisi, iraniana, professora de literatura, autora de Lendo Lolita em Teerã.
Star Sacerdotise Quem profetisa
Eu sou Chris, sempre fui e sempre serei até que me dêem um novo corpo e uma nova identidade no outro plano. Mas até lá, tô feliz com esse nome. Já fui Christininha, Baixinha e outros diminutivos próprios de quem tem menos de 1,60 m. Pros meus filhos eu sou mãe, mamãe ou manhê, dependendo da situação. Pro meu pai eu sou Filhota. E quando eu escrevo sou Star.
Não tenho limites nos meus sonhos. Vejo grande, me recuso a desistir do que quero. Reconheço a mão divina que me guia e protege, e que me deixa quebrar a cara pra aprender quando eu insisto em negar meus instintos.
Sou de festa, de noite sem dormir, de 48 horas acordada direto.
Sou de ensinar tudo que sei, mas de deixar caminhar com as próprias pernas.
Sou de estudo e de leitura, tudo que me cai nas mãos, mesmo que seja bula de remédio.
Sou de música, muita música, pra dançar, namorar ou chorar. Sou do xadrez, do dominó, do Imagem em Ação de madrugada.
Sou do documentário histórico, dos making-offs, das imagens que falam mais que mil palavras.
Sou a observação em pessoa, mas só para o que é relevante, cenários não me impressionam. Meu olhar se atém na linguagem do corpo, muito mais confiável do que as palavras vãs dos dissimulados. Acredito na verdade, aquela que tarda mais surge sempre.
Sou do pensamento lógico e da emoção à flor da pele. Vivo um dia de cada vez e vivo intensamente.
Sou do cabelo comprido. Sou do rosto lavado. No corpo, jeans, camiseta e salto alto, e mais algumas coisas impublicáveis. Na mente, milhares de idéias simultâneas. No futuro, a Medicina como instrumento de serviço. Hoje, mãe, mulher, amiga, professora, poetisa, sonhadora.
Sou da Coca-cola no café da manhã, do sanduíche sempre, com muito tomate. Sou do sushi, do sashimi, do quibe cru, do steak tartar, da carne sempre vermelha, como a paixão. E crua, como os fatos da vida comum.
Sou assim, transmuto pedras em estrelas. Faço de cada dia uma vitória e de cada obstáculo, um degrau para subir. Faço de cada erro um aprendizado, de cada momento de amor, uma eternidade.
Escolhi ser feliz e viver de acordo com isso. Disse não à violência, à opressão, às ruas sem saída, às imposições e especialmente, ao preconceito.
Tenho 40 anos na carteira de identidade, mas muito menos que isso quando olho o horizonte e muito mais no que guardo no coração. Das lágrimas, mantenho o esquecimento e o aprendizado. Dos sorrisos, cada segundo na memória.
Sou de opinião firme. Sou da humildade em aprender a cada dia.
Sou uma estrela no universo.
Sou filha de Deus.