Enchentes e vazantes de luz Escuros na estiagem Transbordam mel claro nas primaveras da vida Cursos de águas temporárias Tristezas liquefeitas ou alegrias úmidas Secos eventualmente, inertes Leitos de rios vazios Espelham céus e prazeres nas cheias Em meio a sinuosidades plácidas Na escuridão prateada da lua negra Perco a dimensão do horizonte Meus olhos se misturam às águas lisas E, súbito, mergulham no céu molhado Para renascer quando tudo mais secar.
Star...
Sexta-feira, Junho 30, 2006
Apesar deles não se lembrarem das noites sem dormir, das preocupações, das horas de correria e atenção, das mamadas, trocas de fraldas, das primeiras letras ensinadas, de todos os momentos que foram e serão eternos para nós, eles são maravilhosos. Nos vemos obrigados a deixar que eles construam sozinhos seus caminhos de tombos, joelhos ralados e corações partidos, meros observadores que nos tornamos quando eles crescem. Acho que isso acontece pelo simples fato de vermos nossos próprios defeitos tão lindamente espelhados e nossas qualidades em seres tão jovens e com tudo pela frente. Sabemos que eles terão chances que não tivemos, e também dores que serão nossas por osmose. Se existe alguma coisa que faz a vida ter sentido, são os filhos, a tarefa mais árdua e mais incrível com que Deus poderia nos presentear.
Pedaços inertes espalhados em um chão de sonhos desfeitos. Restos de um futuro que não vai se realizar. Fragmentos de uma ilusão de valores próprios e inadequados, Visão de um mundo cor-de-rosa tingido do cinza-chumbo da dor, Isolada em meio a pessoas que não mais reconheço. Me pergunto: onde vou? História lavada e esquecida, lutas inúteis, causas perdidas. As marcas são só minhas, só eu escolhi a viagem mais difícil. Me construo entre caminhos repletos de pedras. Meus pés ardem e meus olhos navegam em lágrimas, Não mais me lembro do último dia que não chorei pela manhã. Procuro forças para continuar, chegar sei-lá-onde. Só sei que vou, sempre vou, mesmo que não consiga ver a estrada. O amor me leva, e me mantém. E Deus, seja lá onde ele estiver, olha por mim e não vai me deixar sozinha. Nem que seja pra me receber em seus braços, quando eu adormecer sem luz.
Star...
Quarta-feira, Junho 14, 2006
Sábado, Junho 10, 2006
Liberdade Declaração Universal de Direitos Humanos
Artigo 3 Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 12 Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação.
Artigo 18 Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo 19 Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.
Artigo 29 I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
Liberdade com responsabilidade é um direito inalienável de todo ser humano. Inclusive eu.
Star...
Sábado, Junho 10, 2006
Quarta-feira, Junho 07, 2006
Chegou a hora antecipada, Por mim tanto temida. A hora do desencontrar de caminhos, do descompasso. O momento no qual mundo real toma o lugar do que se desejaria ver. É tempo de se abrigar enquanto o furacão passa arrastando construções. Inevitável desfecho, sigo adiante. Uma certeza: Eu tentei.
Texto de 02 de abril de 2006
O silêncio me corrói. Tento respirar e não consigo, afogada nas palavras que deveria falar. É isso. É a ânsia de dizer coisas e de tirar tua venda que me sufoca. Por que você não entende algo tão óbvio? Um dia, nossos caminhos podem estar tão separados que não consigamos mais nos ver na estrada. Você pode ficar tão longe que sua mão estendida não mais poderá me alcançar, e então.. Então estaremos perdidos, sós no mundo que nos cerca e oprime. E sem o teu carinho, o que será de mim?? O que será dos meus pensamentos de amor, do meu olhar de carinho? O que será da minha alma vazia da sua presença? Preciso te acordar desse sono eterno, de onde você só se ergue eventualmente. Preciso te fazer ver o mundo, esse mundo que vai nos engolir se não fizermos algo. Preciso que você se veja, que meus olhos maduros sejam seus por um instante. Pelas minhas pupilas, você verá o belo e o feio; o sutil e o marcante; verá que a insatisfação é inútil, se não for instrumento de trabalho.. Por favor, mexa-se. Caminhe na minha direção por você.. Para que possamos andar lado a lado, mãos dadas, olhar adiante, por sobre o mundo onde seremos felizes..
"Quando todas as possibilidades nos são tiradas, a menor das aberturas se transforma numa grande liberdade... De certa forma, os contos de fadas, ou os romances, nos dão a liberdade que a realidade nos nega."
Azar Nafisi, iraniana, professora de literatura, autora de Lendo Lolita em Teerã.
Star Sacerdotise Quem profetisa
Eu sou Chris, sempre fui e sempre serei até que me dêem um novo corpo e uma nova identidade no outro plano. Mas até lá, tô feliz com esse nome. Já fui Christininha, Baixinha e outros diminutivos próprios de quem tem menos de 1,60 m. Pros meus filhos eu sou mãe, mamãe ou manhê, dependendo da situação. Pro meu pai eu sou Filhota. E quando eu escrevo sou Star.
Não tenho limites nos meus sonhos. Vejo grande, me recuso a desistir do que quero. Reconheço a mão divina que me guia e protege, e que me deixa quebrar a cara pra aprender quando eu insisto em negar meus instintos.
Sou de festa, de noite sem dormir, de 48 horas acordada direto.
Sou de ensinar tudo que sei, mas de deixar caminhar com as próprias pernas.
Sou de estudo e de leitura, tudo que me cai nas mãos, mesmo que seja bula de remédio.
Sou de música, muita música, pra dançar, namorar ou chorar. Sou do xadrez, do dominó, do Imagem em Ação de madrugada.
Sou do documentário histórico, dos making-offs, das imagens que falam mais que mil palavras.
Sou a observação em pessoa, mas só para o que é relevante, cenários não me impressionam. Meu olhar se atém na linguagem do corpo, muito mais confiável do que as palavras vãs dos dissimulados. Acredito na verdade, aquela que tarda mais surge sempre.
Sou do pensamento lógico e da emoção à flor da pele. Vivo um dia de cada vez e vivo intensamente.
Sou do cabelo comprido. Sou do rosto lavado. No corpo, jeans, camiseta e salto alto, e mais algumas coisas impublicáveis. Na mente, milhares de idéias simultâneas. No futuro, a Medicina como instrumento de serviço. Hoje, mãe, mulher, amiga, professora, poetisa, sonhadora.
Sou da Coca-cola no café da manhã, do sanduíche sempre, com muito tomate. Sou do sushi, do sashimi, do quibe cru, do steak tartar, da carne sempre vermelha, como a paixão. E crua, como os fatos da vida comum.
Sou assim, transmuto pedras em estrelas. Faço de cada dia uma vitória e de cada obstáculo, um degrau para subir. Faço de cada erro um aprendizado, de cada momento de amor, uma eternidade.
Escolhi ser feliz e viver de acordo com isso. Disse não à violência, à opressão, às ruas sem saída, às imposições e especialmente, ao preconceito.
Tenho 40 anos na carteira de identidade, mas muito menos que isso quando olho o horizonte e muito mais no que guardo no coração. Das lágrimas, mantenho o esquecimento e o aprendizado. Dos sorrisos, cada segundo na memória.
Sou de opinião firme. Sou da humildade em aprender a cada dia.
Sou uma estrela no universo.
Sou filha de Deus.